Dizem que depois de atingirmos um qualquer feito desportivo passamos por uma fase de desmotivação em que nos apetece fazer pouco ou nada. Não sei se é verdade ou não, mas sei que depois do Bootcamp fiquei assim em modo letárgico. Acho que entrei um bocado em modo férias. Queixei-me ao meu PT, profetizei até que não ia voltar a correr nem a treinar, que não tinha vontade nenhuma, mas ele acalmou-me e disse que era normal, que era só uma fase. Num dia desta semana em que estava particularmente arratazanada, os meus amigos das corridas aconselharam-me a calçar os ténis e ir para a rua, sem pensar muito, que depois disso voltaria a motivação. Não fui. Pus o Mateus a dormir a sesta e fui dormir também, achei que me fazia melhor à motivação. Mas hoje, uma semana e dois dias depois de o Bootcamp ter acabado, decidi que tinha de contrariar a tendência. Quero correr a Meia Maratona em Outubro e preciso de treinar. Saí de casa muito contrariada, numa de “pronto, vou correr cinco quilometrozitos só para não dizer que não fiz nada”. Entusiasmei-me e corri 15. Nunca tinha corrido 15 quilómetros na vida, mas estava um dia espectacular, cruzei-me com dúzias de pessoas a fazer desporto, ia sozinha com a minha musiquinha e os meus pensamentos, por isso fui correndo, correndo, correndo. Saí de casa sem nenhum trajecto muito definido, fui só correndo pela cidade, a enfiar-me por ruas onde nunca tinha passado, até chegar ao rio. Pela primeira vez, pensei que, afinal, a ideia da Meia Maratona não era assim tãaaaaaaaaaao impossível como me parecia. Se, como diz o anúncio, quem corre dois um dia vai correr 42, então quem corre 15 um dia também vai conseguir correr 21, certo? Se puder ser dia 5 de Outubro isso então era mesmo espectacular (é que já não falta assim tanto). No meio da minha corrida de hoje passei pelo sítio onde tentei correr pela primeira vez na vida, talvez há uns três ou quatro anos. Nessa altura fui com uma amiga que andava a treinar para a Meia Maratona e com mais duas ou três, tão iniciantes como eu, e foi para lá de penoso. Estava imenso frio e ao fim de um quilómetro parecia que tinha corrido 50. Não tinha preparação nenhuma, larguei só a correr e, claro, rebentei. Hoje, quando lá passei, ia no quilómetro 10 e não pude deixar de me lembrar daquela primeira corrida e em como eu achei que correr era a coisa mais odiosa do mundo. E se me dissessem que, dali a uns anos, ia estar a treinar para a Meia (de forma voluntária), de certeza que ia achar que o Apocalipse estava para breve. Enfim. Agora é continuar. E esperar que as Bolas de Berlim não levem a melhor sobre a corrida.
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