Não sei se é do tempo, se da gravidez (que me deixa ainda mais enervadinha do que o costume), se da velhice, se de uma gripe com quase duas semanas, mas este fim-de-semana estava num hotel e comecei a fazer um somatório das coisas que me irritam nos hotéis. Sim, estou a ficar este tipo de pessoa, que sai de casa só para começar a contar as coisas que a enervam. Ora aqui vão elas, sem mais demoras:
Copos de sumo XS
Não sei se já atentaram neste flagelo, mas no pequeno-almoço dos hotéis os copos disponíveis são sempre tamanho Pinipon. Para quê? Para o povo não se entusiasmar e desatar a beber sumo às litradas, que já se sabe como estes pobres são, apanham-se com um jarro de sumo de laranja à frente e não param enquanto não lhe virem o fundo. E isto irrita-me tanto, pessoas, tanto! Porque obrigam-me a levantar o rabo da cadeira não sei quantas vezes para fazer um refill de sumo. Deve ser este o pensamento dos hotéis: “querem sumo, seus pobres, querem? Então vão ter de estar sempre a levantar-se para ir buscar mais, e como gordos e preguiçosos que são, já se sabe que se vão ficar apenas por um copinho”. Comigo estão bem lixados, que de manhã tenho muito mais sede do que fome, por isso levanto-me 35 vezes, se for preciso. Aliás, quando começo a servir-me levo logo dois copos para a mesa, só por causa das coisas. O que também acontece frequentemente é o sumo ser tão manhoso que a pessoa prefere ficar a água, mas o drama dos copos pequenos mantém-se. Se houver alguma outra teoria para esta cena dos copos que não seja obrigar as pessoas a consumir menos sumo, por favor partilhem. Eu acho que são só os hotéis a ser fonas.
Falta de guardanapos de papel
Outro drama. Nunca há guardanapos de papel ao pequeno-almoço, só de pano, que já se sabe como é o povão. Se lhes põem guardanapos de papel à mão de semear é vê-los a fazer sandochas de chourição para comer na praia, a embrulhar donuts para os putos, a enrolar umas pêras e umas maçãs, a servir-se de cereais a granel. Não pode ser. Com guardanapos de pano fica mais difícil. Mas e se a pessoa tem uma aflição? Um espirro mais viçoso que resulta num ranho e calha a não ter lenços ali à mão? O que é que faz? Limpa-se discretamente a uma pontinha da toalha?
Cadê os morangos?
Já que estamos na temática “pequeno-almoço”, porque é que os morangos nunca são uma opção na zona das frutas? É porque são caros e nós, pobretanas, não merecemos? Porque não sabemos comê-los com moderação? O que me irrita mais é que os morangos até estão lá, mas apenas como mero apontamento decorativo. Em cima de um bolo de chocolate. A enfeitar uma gelatina. E para mim isto ainda é pior. É que se não houvesse morangos de todo, a pessoa ainda podia pensar “pronto, não é a época deles”, mas porem-nos ali só dois ou três morangos a acenar, é mesmo esfregar-nos na cara que não somos dignos de um moranguinho. E o que eu gosto de um moranguinho pela manhã, a acompanhar umas panquecas ou a chafurdar num iogurte com cereais? Mas nãaaaao, não pode ser, é uma coisa completamente fora do nosso alcance.
Luzes do quarto
Eu já tinha falado sobre este drama aqui, mas nunca é demais relembrar a quantidade de luzes e luzinhas e interruptores que consegue haver num só quarto. É um verdadeiro fenómeno do Entroncamento, porque depois para se conseguir ligar/desligar a luz que queremos é sempre todo um filme de técnico-táctica. Ainda este fim-de-semana estava num hotel, já na caminha, luzes apagadas, pronta para dormir, quando reparo numa luz vinda do além. Era o quê, era o quê, era o quê? Era uma luz de presença, junto ao chão, não vá a pessoa perder-se num quarto de 20 metros quadrados. Uma novidade. E depois para a conseguir desligar? Consegui, mas ao fim de NOVE tentativas, de ter ligado todas as luzes do quarto pelo caminho e de ter conseguido acordar o homem, que já dormia profundamente. A sério, resolvam este drama, facilitem a vida às pessoas, não nos façam perder uma camadona de nervos com isto.
Botões do chuveiro
Este é um drama ao nível das luzes. O que é feito dos bons e velhos chuveiros, APENAS com uma torneira para a água quente e outra para a água fria? Agora não, chuveiro que tenha menos de 20 botões não é digno do nome. Já me vi obrigada, várias vezes, a ligar para a recepção com um “eeerrrrr… peço muita desculpa, mas não estou a conseguir ligar o chuveiro”. E lá reviram eles os olhos e lá se enchem de paciência para explicar aqui à burra como é que se põe um chuveiro a largar água. Porque há o botão com 25 posições para decidir se a água vem do chuveiro, da torneira, do duche lateral, da hidromassagem, da torneira dos pés ou do raio que os parta. E está a pessoa a achar que a água vai sair da torneira e toma lá uma chuveirada na tromba, assim, sem aviso, à traição. E gelada, claro. Depois há o outro botão, com mais 14 opções, para escolher a intensidade com que a água sai, e que tanto pode ser uma coisa assim muito suave, quase ao nível da cócega, como um jacto com tamanha pujança que nos desloca três vértrebras. E depois ainda há a tarefa de conseguir acertar com a temperatura da água, e que ou é a escaldar, tipo queimadura em terceiro grau, ou gelada, que de repente a pessoa está a partilhar a banheira com três pinguins. E esta moda agora das luzes? Sim, há chuveiros que dão para escolher a luz, consoante o nosso estado de espírito. Uma cena super terapêutica e coiso. Porque estávamos mesmo a precisar de mais uns botõezinhos, não era?
Falta de tomadas
A sério, estamos na época dos telemóveis, dos portáteis, dos tablets, mas os hotéis acham que uma tomada é suficiente para isto tudo. E o pior nem é isso, que eu sou uma pessoa prevenida e já levo sempre fichas triplas, o pior são os pequenos Jogos Sem Fronteiras que a pessoa tem de fazer para descobrir uma tomada. A pessoa entra no quarto e começa imediatamente a jogar ao “Arreda Aí”, jogo que consiste em arredar mesas de cabeceira, cómodas, televisões, móveis de 90 quilos, tudo na tentativa de encontrar uma tomada disponível. E não haver uma tomada de jeito na casa-de-banho ou ali nas imediações? Ou há aquelas que só dão para máquinas de barbear, ou então esqueçam lá isso de ter uma tomada para um secador ou babyliss. Quantas e quantas vezes já não me aconteceu ligar o babyliss e estar toda torcida, tipo torre de Pisa, com o corpo numa ponta do quarto e a cabeça inclinada até ao espelho mais próximo, para conseguir fazer um pequeno caracol. E se com um espelho inteiro já fica uma bela merda, com um quarto de espelho está bom de se imaginar o resultado.
Late check-out
É fatal como o destino: por mais que todos os hotéis anunciem que é possível pedir um late check out (mediante disponibilidade), é mais do que certo que “lamentavelmente, não vai ser possível”. Não interessa se estão numa pousada perdida no Alentejo profundo ou num cinco estrelas no Brasil. Não interessa se estão no pico do Verão ou se é uma quarta-feira chuvosa de Março, onde não se passa absolutamente nada. Não interessa se estão a pedir para sair duas horas mais tarde ou só 15 minutos. Nunca é possível. Há sempre uma qualquer combinação de factores que faz com que nesse dia, precisamente nesse dia, o hotel tenha registado um volume atípico de check-ins e por isso há um casal que já está, ansioso, à espera para entrar no vosso quarto.
Preços do mini-bar
Portanto, estão a ver um Kit-Kat que em qualquer café, e já inflacionado, custa 1,20€? Pois, quando entra no mini-bar de um hotel ganha automaticamente propriedades enriquecedoras (tipo, pepitas de ouro e a cura para o cancro), que fazem com que o preço dispare para os cinco euros. Quando pegam nele, quando o abrem, quando o trincam, percebem que não, que é o mesmíssimo Kit Kat que encontram num supermercado desta vida. E o mesmo para as garrafas de água, para um pacote de amendois ou para um cápsula de Nespresso. RI-DÍ-CU-LO! A sorte desta gente são pessoas como eu, que já sabem que vão ter um fúria de açúcar às dez e meia da noite, que não se souberam precaver antes e que, portanto, dão por si a dizer “oito euros por umas mini Pringles? Isto está de graça! Siga!”.
Sistema de toalhas de praia
Desde que estive internada num hospital e me juraram a pés juntos que há pacientes capazes de gamar tudo o que apanham à mão (comandos de televisão, banheiras de bebé, talheres) eu comecei a acreditar que sim, as pessoas são capazes dos maiores feitos. Por isso, não é de admirar que também fanem toalhas de praia/piscinas dos hotéis. Deve ser para fazerem enxoval para os filhos, tipo “já tenho doze toalhas do Tivoli, agora ando a ver se junto mais doze do Vila Galé para o meu Bruno”. Ora isto faz com que os hotéis se vejam obrigados a ter apertados sistemas de controlo das toalhas e com que os hóspedes passem as férias numa pilha de nervos, sempre ralados com a merda das toalhas. Parecem filhos! Para já, muitos hotéis já obrigam a que se pague uma caução no início da estadia, tipo 50 euros por três toalhas, que só será devolvida se, no final das férias, devolvermos as toalhas intactas e de boa saúde. A isto acresce o sistema de cartões, um por toalha. No final de cada dia devolvemos as toalhas e o hotel dá-nos um cartão. No dia seguinte, damos os cartões e eles dão-nos toalhas. Em Cuba aconteceu-nos não termos percebido que as toalhas funcionavam por cartão e deixámo-las na piscina. No dia seguinte, quando fomos pedir novas toalhas e não tínhamos cartão para dar em troca, montou-se um carnaval de todo o tamanho. O hotel recusava-se terminantemente a dar-nos novas toalhas a menos que pagássemos aquelas que tínhamos perdido/roubado, portanto arriscávamo-nos a passar o resto das férias sem a porcaria das toalhas. Expliquei aos senhores funcionários que não ia pagar toalhas nenhumas, que se quisessem podiam ir revistar o quarto em busca das toalhas perdidas, que tudo aquilo era ridículo. Isto acabou com telefonemas para Portugal, com a intervenção da direcção, uma coisa muito pouco simpática para qualquer hotel, menos ainda para um cinco estrelas. E assim se dá cabo da experiência num hotel. Eu percebo que também há gente muito abusadora e que se não houvesse nenhum tipo de controlo pedia 14 toalhas por dia, mas acho que dá para ser ligeiramente mais flexível em alguns casos. Só um bocadinho.
Wi-fi
Pessoas, isto está ao nível da falta de tomadas, mas em pior. Em pleno século XXI, em que a malta passa a vida ligada às redes, cobrar pelo acesso à internet parece-me uma ROU-BA-LHEI-RA! Pronto, está dito. Acho que o cúmulo da loucura foi nas Maldivas, onde uma hora de net custava 15 dólares. Ah ah ah, seus divertidões. É mesmo a pedir um “e irem à merdinha, não?”. Também me irrita um bocado quando funciona por sistema de senhas, de doze ou de 24 horas, e a pessoa tem de passar a vida a ir pedir uma nova senha, quase como que a dizer “peço muita desculpa, fui lambona e já gastei a minha senha toda, podem dar-me outra, por favorzinho?”. Facilitem-nos a vida, pode ser?
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