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Temos de falar sobre o Pokémon Go, não é verdade? - A Pipoca mais doce
20 Jul

Temos de falar sobre o Pokémon Go, não é verdade?

A Nintendo foi esperta. Esperou que acabasse a febre do Euro para largar a bomba: ah, e tal, criámos um novo jogo de realidade virtual, que vai levar as pessoas para a rua, isto já está a ser um sucesso na Ásia, vai ser uma loucura no mundo inteiro. Vai mesmo. Ou melhor, já está a ser. Assim no espaço de dois dias começaram a saltar notícias sobre o Pokémon Go, de todo o lado. Um verdadeiro bombardeamento. Li algumas delas, percebi mais ou menos do que é que se tratava, instalei o jogo e tenho a dizer-vos que já apanhei 14 bichos. Não sei se é muito se é pouco, mas tendo em conta o tempo que dedico a isto (tipo, três minutos por dia) parece-me espectacular. A verdade

é que o jogo não é assim tão giro como o pintam. Ou então sou eu que ainda estou muito no início, se calhar à medida que se vai avançando a coisa torna-se mais interessante, mas tenho para mim que não chegarei a essa fase. Isto consome bateria comó caraças e, convenhamos, é um bocado estúpido andar de telemóvel em riste a caçar bichos imaginários. O primeiro que apanhei foi uma tartaruga, no corredor cá de casa. Sacana, um bicho de 15 quilos enfiado nos meus domínios. Uma pessoa pensa que está segura no seu próprio lar, mas não, isto é bicho que se infiltra em todo o lado, pior que a humidade. Depois disso, já apanhei alguns dentro do carro (com o carro parado, não se enervem), já apanhei um no cabelo de uma amiga (basicamente salvei-a de um morcego sinistro), já apanhei um no Colombo,… enfim. Quando estou assim mais a atirar para o desocupada ligo a aplicação e vejo se há algum à mão de semear. É o máximo que faço. Não vale a pena aquilo dizer-me que está um bicho do outro lado da estrada ou ao fim da rua, porque eu só apanho os que me aparecem à frente dos olhos. Gosto da papinha toda feita. Depois, também não se pode dizer que seja muito difícil apanhá-los. A pessoa atira uma bola e tau, já cá canta. Lá está, se calhar com a evolução vai ficando tudo mais difícil, mas para já acho que qualquer criança de três anos dá conta do recado (o Mateus ainda não foi introduzido no vício). Esta manhã, enquanto esperava para começar o treino, apanhei um pónei ali à beira Tejo. Bicho bonito, de crina reluzente, com quase 26 quilos. Gostei, eu e os póneis temos aquela cena, vocês sabem, mas queria mesmo era o Pikachu. Acho que quando o apanhar dou por terminada a minha relação com o Pokémon Go, ah, e coiso, foi bonito, sim senhora, mas isto não é para mim.

Mas não nego que estou absolutamente boquiaberta com a rapidez com que este tema dominou o mundo. E a rapidez com que o mundo reagiu. De repente, temos a polícia portuguesa a emitir comunicados sobre a caça ao Pokémon, com conselhos como “não cace sozinho, cace em grupo ou aos pares”. De repente, temos táxis disponíveis só para andarem com os clientes a apanhar bichos. De repente, temos um hotel no Porto (o Pestana Vintage) que disponibiliza uma pessoa para andar com os hóspedes a mostrar onde é que os Pokémons se escondem dentro e nas redondezas do hotel. De repente, temos pessoas a pararem os carros em plena auto-estrada para se envolverem em lutas de Pokémons. De repente, temos gente que descobre cadáveres durante as suas caças. E eu acho que está tudo louco. A sério. Não sou extremista, não estou entre as vozes que acham que o jogo é uma anormalidade, que devia ser já banido e blá blá blá, os velhos do Restelo de sempre. Acho que, efectivamente, tem a vantagem de arrancar as pessoas de casa. Ainda no outro dia um puto gordinho dizia na televisão que nunca fazia desporto e que agora chegava a andar 15 quilómetros por dia. Mas, claro, há o outro lado da medalha. O jogo leva as pessoas para a rua, certo, mas será que as envolve mais com os sítios por onde andam? Será que as envolve mais com outras pessoas? É que eu acho que isto só faz com que as pessoas andem no meio da rua ainda mais alheadas, com todos os perigos que isso pode acarretar (quedas, atropelamentos, sei lá eu o quê). Enfim, o jogo continuará no meu telemóvel por mais uns tempos, até me fartar de vez. Até lá, se virem o Pikachu apitem, que eu vou a voar.
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