Estava eu a fazer um treino longo para a Maratona de Lisboa quando recebo uma mensagem do homem a dizer qualquer coisa como “inscrevi-me para a Maratona do Porto e tu vais fazer a prova de 15k”. Comecei logo a dizer asneiras e a mandar vir. Que era só três semanas depois da Maratona de Lisboa, que não me ia apetecer nada correr, que não sabia se ia estar em condições, que era mais seguro ele ter-me inscrito nos 6k. Achei, sinceramente, que a Maratona seria um tormento tão grande que nunca mais na vida iria correr. Mas não foi. E, por isso, já dei por mim a inscrever-me em mais umas quantas provas até ao final do ano. O Grande Prémio de Natal, a Meia Maratona dos Descobrimentos, a São Silvestre de Lisboa e, talvez, a do Porto.
Pior, dei por mim a inscrever-me em mais uma Maratona:
13 de Março, Maratona de Barcelona, com todo o meu grupo de corrida. Vai ser uma coisa assim muito espectacular e o plano de treinos começa já no final do mês. A verdade é que é preciso ter um objectivo, ou então desmotivo e abrando muito. Mas também é verdade que não irei preparar esta maratona com a pressão toda da primeira. Quero, como sempre, divertir-me e chegar bem ao fim, são sempre esses os objectivos em qualquer corrida. E agora já sei ao que vou.
Mas voltando ao Porto. O homem foi para a Maratona e eu para a Family Race, de 15k. Às nove da manhã, hora de partida, já estava um calor de ananases. Deve ter sido a vingança por me queixar de que está sempre a chover quando vou ao Porto. Desta vez estava um calor que não se aguentava, nem no Verão apanhei tão bom tempo no Porto. E, por isso mesmo, foi um inferno correr. A coisa começou logo mal: após a linha de partida o espaço afunilava e era impossível correr, por isso ia toda a gente a andar, o que fez com que levasse oito minutos a percorrer o primeiro quilómetro. Depois, o percurso também não ajudou nada, andámos sempre às voltas entre prédios e avenidas sem interesse nenhum, com várias subidas lá pelo meio. Com sítios tão giros, com uma frente de rio fantástica, e andámos 15 km na zona mais desinteressante da cidade (as partes giras ficaram reservadas para os maratonistas). Ter uma dor persistente e desconhecida no pé direito também não ajudou. Aos 14 km, a morrer de calor (mesmo depois de já ter despejado umas quantas garrafas pela cabeça), com o pé a chatear cada vez mais e com o vislumbre de uma subida até à meta, pensei que era melhor parar e andar até ao final, mas resisti e lá fui. Queria ter feito 1h30, assim nas calmas, mas acabei por fazer 1h38. Se o percurso não era nada de especial, o mesmo não se pode dizer do apoio das pessoas, muito maior e mais entusiasmante do que em Lisboa. Obrigada às muiiiiitas pessoas que chamaram por mim, obrigada a todos os corredores que meteram conversa comigo e que ajudaram a passar o tempo, obrigada a todos os que, no final, vieram falar e tirar fotos, foi mesmo muito giro.
Com a minha amiga Xana
A tocar no cartaz do Correr Lisboa que nos dava energia extra. =)
Assim que terminei a minha prova, fui fazer aquilo que mais gosto: plantar-me na meta a ver a chegada dos maratonistas. Ali fiquei, durante três horas. Vi chegar os vencedores (dois quenianos e um etíope), vi chegar as vencedoras (uma queniana e duas portuguesas, ieeeeeeiiiii!), vi chegar os que chegaram frescos que nem alfaces, os que chegaram meio tortos, os que chegaram com os filhos ao colo, amparados por amigos, mascarados, a benzer-se, a rir à gargalhada, a gritar, a saltar, a chorar baba e ranho. Emocionei-me muitas vezes, como sempre, incentivei muitos deles a percorrerem aqueles últimos metros até à meta, gritei por desconhecidos como se fossem meus amigos do peito. É impossível não estar a ver toda aquela gente e não pensar “um dia também gostava de fazer isto”. Eu já fiz e conheço a sensação, que é brutal. Por isso, se não querem ficar com vontade de correr uma maratona, não vão para a meta de nenhuma, porque saem de lá e vão a correr inscrever-se.
Mas o maratonista que eu mais queria ver era o meu. Nunca vi ninguém treinar com tanta resiliência. Nos últimos três meses, o homem acordou praticamente todos os dias às seis da manhã para correr. Eu acordava e já ele tinha corrido 15 ou 20 km. O objectivo para a Maratona do Porto era ambicioso: acabar em 3h20. Para mim, como é óbvio, isso é qualquer coisa de inimaginável, mas estava ali na meta a torcer muito por ele e a rezar para que o calor não desse cabo dele. Ainda pensei correr os últimos quilómetros com ele, mas como não ia conseguir acompanhar o ritmo e ia acabar por empatar, preferi ficar na meta. E eis que o avisto, fresco e fofo depois de ter corrido 42 km. Cruzou a meta às 3:18:56 e é o meu herói. Todo o esforço dos últimos meses foi recompensado e é impossível não sentir um enorme orgulho. Parabéeeeeens! E parabéns a todos os que chegaram ao fim, que cumpriram a sua primeira ou a sua oitava maratona. Foi uma prova muito difícil, mas são todos campeões.
Fotos: Elisa Simões
Entretanto, e como sempre, conseguimos aproveitar um bocadinho do Porto. Fomos no sábado e voltámos domingo, mas deu para passear e comer muito bem. Ficámos, uma vez mais, instalados no Crowne Plaza, que nos recebe sempre com uma enorme simpatia e um serviço espectacular. Aquelas camas, senhores, aquelas camas. Quando voltei da corrida atirei-me para cima dela e apeteceu-me ficar ali durante uma semana, mas era preciso voltar para Lisboa. Se estiverem a pensar em fazer uma escapadinha até ao Porto, o Crowne é uma bela opção: óptima localização (na avenida da Boavista), quartos enormes, um megaaaa pequeno-almoço, um restaurante muito, muito bom e, claro, um serviço cinco estrelas. Já ficámos lá sozinhos e com os miúdos e recomendamos mesmo.
Sábado ao almoço fomos experimentar o novo restaurante do chef Ruy Leão. Chama-se SHIKO e é uma tasca japonesa. Aqui também há sushi, mas há muitas outras coisas que fazem parte da gastronomia japonesa e que eu nunca tinha experimentado. Fiquei fã, tudo delicioso. Quero um SHIKO em Lisboa, já!!!







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